Nesse é um episódio que eu gostaria de pedir licença pra você e abrir algumas reflexões sem obrigação de chegar a conclusões. Na verdade, esse conteúdo estava engavetado a algumas semanas por conter sentimentos bem íntimos. Porém, acredito que o que senti pode ajudar outras pessoas, então resolvi me expor um pouco. Vamos lá…

Há algumas semanas, uma amiga quer admiro muito lançou uma enquete no Instagram: “você é pessoa que se abre para as outras quando está se sentindo mal, ou se se isola?” Eu respondi que me isolo, assim como 69% das pessoas que responderam. Isso foi o gatilho de um sequência de acontecimentos que me levaram a essas reflexões.

Introspecção

Talvez você não me conheça, então devo mencionar que sou uma pessoa extremamente introspectiva. Nunca cultivei muitos amigos. Em algum momento da vida, acredito que na adolescência, desisti de tentar agradar as pessoas em um determinado grupo.  Consequentemente, acumulei alguns pares de amigas(os) que permiti chamar de próximas(os), aos outros apresento minha superfície e convivo bem. Devo confessar que, enquanto escrevo isso me sinto desconfortável por talvez despertar pena ou o julgamento de alguém, mas enfim.

O fato é que, aparentemente construi um muro ao meu redor. Pintei ele de forma agradável, para quem passar se sentir bem ou não sentir nada. Enquanto isso, lá dentro, fui me isolando cada vez mais. Porém, consequentemente, alguns me julgam como fria, metida, fechada. Lógico, construí um muro. Mais alguém se identifica?

“I am a rock. I am an island” – Simon & Garfunkel

A verdade é que esse blog/podcast é meu grande desafio, talvez esse projeto faça com que as pessoas tenham uma chance de fazer julgamentos mais reais sobre a minha pessoa. Por outro lado, tem uma voz, bem aquariana, me provocando com a pergunta “e por que você se importa com o que as pessoas pensam?”

Consequências

Porque ao se isolar, a gente carrega um peso grande pra caramba. Um peso energético mesmo. Porque acabamos não compartilhando questões que podem ser comuns entre outras pessoas e conversar sobre isso talvez proporcione alívios aos outros também. Talvez, provoque aquela sensação de “não estou sozinha nessa”.

Por muito tempo abracei a coisa da solidão e convivemos bem, mas agora sinto que precisamos de um equilíbrio no nosso relacionamento. Afinal, por natureza somos animais sociais. Acredito que tudo na vida é questão de equilíbrio. E sinto que por muito tempo pesei a balança para apenas um lado.

Aproveitando o assunto, gostaria de agradecer a você que esta lendo/ouvindo isso e me dando a oportunidade de me abri um pouco. E, assim, talvez provocar outros sentimentos sobre mim. 

É uma questão de equilíbrio

Quero deixar claro que não vejo há nenhum problema específico em querer passar tempos sozinha, na verdade me parece saudável se sentir bem consigo mesmo. O problema é a dosagem que isso é aplicado. Algumas pessoas sentem que não conseguem viver sem alguém, outras que pessoas são um problema. Percebe o extremismo da coisa?

A minha dosagem de isolamento muitas vezes me leva a participar pouco ou nada da vida das pessoas que amo. E sinto que isso não é justo com elas. Essas poucas criaturas se abriram para me acolher em suas vidas, o mínimo que posso fazer é o melhor para retribuir. Você não acha?

Por outro lado, quando sentimos um certo desespero em agradar as pessoas, ou em estar em relacionamentos amorosos porque alguém enfiou na nossa mente que “é impossível ser feliz sozinho”, nos arriscamos em jogar nos outros uma responsabilidade pesada que é só nossa.

A minha felicidade depende de como eu enxergo o mundo e a mim mesma. Se já temos tantos conflitos internos, imagina só juntar todos eles e jogar nas mãos de outra pessoas com os próprios conflitos e falar: “Toma, minha felicidade depende de você”. Que sacanagem, não é mesmo?

O que fazer para resolver isso?

Tudo isso, fez gerar em mim um movimento de tentar esta mais perto das pessoas que amo e que merecem minha reciprocidade. Ao mesmo tempo, respeitar meu momento comigo mesma. O objetivo é encontrar um equilíbrio. Nem me forçar a fazer ou ir a lugares que não quero, nem deixar de aproveitar as oportunidades que expressar meu carinho, atenção e gratidão as essas pessoas.

E você? Como se sente nesse aspecto de sua vida? Devo te confessar que continuo me abrindo pouco para os outros. E também sinto a necessidade de ficar sozinha pelo menos horas antes de dormir e nos primeiros momentos do dia.  Contudo, acredito que preciso trabalhar o estar presente. Adoraria saber o que você sente.

Enfim, nos encontramos na próxima semana. Vou começar um capítulo novo na minha vida chamado Reforma, e talvez produza menos podcasts. Mas vou contar como esta sendo esse momento no Instagram, ok?!

Um abraço virtual bem amoroso

E até semana que vem. 

2 thoughts on “ Sobre relações interpessoais, amizade e solidão ”

  1. Maravilhosa a maneira como você aborda essa questão! Muitas pessoas se sentem exatamente assim. Falar sobre isso é sublimar um “sofrimento” que estava causando um calo nos pés! É colocar suporte macio para evitar a dor, enquanto o sapato se molda aos pés!

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