Oiê!

Hoje vamos refletir sobre um assunto que particularmente acho lindo. Cada vez que estudo sobre isso em encanto ainda mais. Estou muito feliz por essa oportunidade, porque acredito que esse é um conhecimento importante a ser compartilhado. Como estamos em constante mudança, chegou a hora de quebrar alguns padrões e ressignificar conceitos sobre as mulheres e suas particularidades.

Vale destacar que esse é um tema muito amplo e, em uma busca rápida, pode parecer um papo distante da realidade. Então, o que pretendo compartilhar com vocês são reflexões simples, porém libertadoras.

Também, não pretendo entrar na parte religiosa dessa proposta, até porque o que me chama mais atenção aqui é o quão encantadora é a visão de mundo, de sociedade e de mulher que o sagrado feminino propõe.

Mas afinal, o que é sagrado feminino? 

De forma bem simples: é um movimento de mulheres que buscam resgatar conhecimentos ancestrais, anteriores a ideia que se fixou na sociedade de que a mulher é um ser frágil, inferior e, por isso, deve ser submissa. O objetivo é trazer a tona o nossa verdadeira essência e poder que se perdeu no patriarcado.

Se você quiser mergulhar mais fundo nesse conceito, sugiro que escute os podcasts do dilema de Ivana que coloquei no final desse post.

Uma visão histórica bem enxuta:

Para entender esse movimento precisamos voltar um pouco no tempo, lá para as primeiras civilizações, que tinham uma ligação muito forte com a natureza.

Havia uma sacralidade na mulher e na mãe terra, assim como uma devoção a vida. Ou seja, tudo o que se relacionava a natureza e a fertilidade era considerado sagrado. E como a capacidade de gerar vida pertence a mulher essa sacralidade era diretamente conectada a figura feminina. Afinal, a terra da frutos e a mulher também. Daí vem a expressão sagrado feminino.

Mas, em algum momento da história, a natureza e a mulher passaram a ser consideradas algo a ser dominado. E os conhecimentos de matriarcas começaram a ser vistos como ameaça, tanto que foram concideradas bruxar e levadas a fogueira. Aqui estou dando um super salto histórico, porque esse não é o foco da nossa conversa de hoje. O que precisamos saber até o momento é que, com o passar dos anos, das colonizações de povos e construção de novas culturas, tudo o que era associado ao feminino passou a ser visto como algo frágil, sem importância, a ser dominado. Além disso, passamos a ser propriedades dos homens, e tudo o que era associado ao arquétipo masculino passou a ser considerado como correto e bom para a sociedade.

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O que são arquetipos?

De forma bem simples: são imagens ou padrões mentais que são reproduzidos no coletivo. É meio que um senso comum sobre alguma coisa. Nesse contesto, vamos usar a analogia de luz e sombra para as características positivas e negativas de cada lado.

Na luz o arquétipo feminino está o relacionado ao maternal, intuitivo (algo bem interno mesmo sem precisar de explicações lógicas), sentimental, fértil, espirituoso e capacidade de criar. Nas sombras: ira e destruição. Percebe como é semelhante a natureza?

Já o masculino é associado ao racional, a tudo o que é reto e concreto. A construir e ordenar. Na sombra ele reflete aridez, onde não há diversidade o oposto precisa ser conquistado. 

OK, mas o que isso tem haver com meu dia a dia?

Acontece que, no final das contas, como tudo na história é cíclico, nós mulheres cansamos desses rótulos e passamos a gritar (porque nossa vós foi dominada e calada por muitas gerações) por um lugar na sociedade onde pudéssemos ser consideradas como seres livres, independentes e capazes.

“Não se refira a mim como ‘sua garota’ novamente.” – Lily Tomlin em Nine to Five

Mas se a gente parar para observar, começamos, naturalmente, a tentar nos encaixar em um mundo que era feito para homens. Até então, eles que deveriam ser servidos, cuidados, alimentados e idolatrados. Em troca nos davam segurança e traziam a comida para que nós colocássemos em suas bocas e continuássemos a linhagem que pertencia a ele.

Hoje, graças a muitas mulheres revolucionarias, ganhamos um espaço na sociedade. Porém, ainda estamos em um mundo que nos pede arquétipos masculinos o tempo todo. Precisamos ser retilíneas, nos encaixar e agir como eles. Para isso, tendemos a repelir o ciclos no nosso interior, nosso corpo e suas necessidades. Particularmente na menstruação, deixamos que nosso sangue fosse visto como algo sujo e nojento. Que nossos sentimentos nos ciclos menstrual fosse ignorados e domados.

Menstruação é bem-vinda aqui

Se você parar pra pensar a fundo, o sangue menstrual que hoje é tido como sujo é o mesmo responsável pela magia da vida dentro de nós. Mas veja só, o que muitas culturas consideravam como sagrado passou a ser imundo. Como que o mesmo material que da origem a uma criança hoje é visto como uma coisa suja, como nojo? Sendo que esse sangue é tão rico que estudos falam de extração de células tronco dele. Nossa menstruação é um sangue de alta qualidade, além de ser parte de um ciclo que diz muito sobre nós.

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Na real, qual diferença isso vai fazer na minha vida?

Por experiência própria, toda!

Como contei nesse post, menstruei muito cedo e optei por classificar aquele momento com algo triste. Relacionei a sofrimento e de fato senti muito desconforto e dor por muito tempo. Naquela época a solução que chegou a mim foi: domine isso, porque é um troço muito ruim.

Passaram anos para que eu conseguisse entender que eu só ia conviver com aquele momento de verdade se eu olhasse pra mim mesma e compreendesse o ciclo como um todo. Aqui começa um momento mágico! Porque hoje não só eu me conheço melhor como não sofro mais durante a menstruação. 

“Baby, eu nasci assim” – Gaga

Compreendi que eu não preciso ser linear o tempo todo, que a vida é cíclica, mais precisamente ela segue como uma espiral de constante crescimento. A auto observação me trouxe a oportunidade de olhar os dois lados, o masculino e o feminino dentro de mim. 

Auto Observação

Observar os sintomas do ciclo menstrual traz a tona muito sobre nós mesmas, nossas iras e pensamentos reprimidos. O ideal é que possamos saber mais sobre o que nossas atitudes significam. O que nossos sintomas falam sobre o que acontece no nosso corpo e que não estamos vendo? E é assim que a gente pode ressignificar a menstruação na nossa mente.

Nós tendemos a ignorar o que é interno. Justamente porque perdemos um pouco do arquétipo feminino de interiorização. Passamos a deixar de lado o que sentimos porque o concreto é que passou a valer. Percebe como isso é o arquétipo masculino dominando? Não que o concreto seja ruim, mas perdemos o equilíbrio entre o interno e externo.

Quando você vai pra natureza e vê que ela tem ciclos, estações, e se olhar pra dentro do seu corpo você nota que ele também tem ciclo. A auto observação traz sabedoria. Quais são os ciclos do seu corpo? Como você se sente a cada mês. É assim que você começa a ver que há uma ligação com os períodos do ciclo menstrual.

Tratar só os sintomas externos esconde a essência do ciclo, que é o que acontece na nossa mente, do nosso inconsciente, no psicológico. É como tapar o sol com a peneira, percebe? Ou olhar só a ponta do iceberg e ignorar tudo o que está no fundo e que pode ser significativo para a cura e não só para o paliativo dos sintomas.

O ideal é tirar a menstruação da sombra, só do lado negativo, e trazer ela pra luz, para o consciente. E assim entender porque a gente age do jeito que age.

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E quando você olha pra dentro, você também acessa toda criatividade (de criar mesmo) e sacralidade que existe dentro de ti. A ideia aqui é equilíbrio, entende?

A TPM me parece muito mais uma explosão de tudo o que foi reprimido para que possamos nos encaixar em um mundo linear, ela é muito mais do que um carma a ser classificado como inimigo público número 1.

Como fazer isso

A fase pré-menstrual e a menstrual são uma ótima oportunidade de ver o que está acontecendo dentro de você. É um período muito rico para meditar e observar seu interior

Transforme a meditação em hábito

Meditação nos ajuda a interiorizar, diagnosticar padrões de comportamento, nos ouvir e assim trabalhar para melhorar e crescer. Já o Yoga, alinha e equilibra a mente e o corpo. Desde que comecei essas práticas consegui reduzir minha irritabilidade no período pré menstrual e as cólicas do primeiro dia de menstruação.

O que você come faz diferença

Há alguns meses não tomo remédio para para cólica, ela tem reduzido com yoga e alimentação. Esta, por sua vez, surgiu da auto observação. Percebi que há alimentos que forçam meu corpo a trabalhar mais, isso prejudica o fluxo do sangue e tudo o que está acontecendo no meu útero. Então, tudo o que como no primeiro dia de menstruação (que costuma ser mais dolorido) é mais leve, para ajudar a digestão e deixar o útero trabalhar com mais potencia.

Fazer exercícios também conta

Porque minhas cólicas diminuíram, passei a fazer caminhada, mesmo nos dias de dor. E isso ajudou mais ainda. 

Não vou te enganar aqui e falar que não sinto mais cólica, porque é mentira, sinto sim, mas nem se compara a que sentia antes de adotar essas posturas. E estou muito esperançosa de um dia poder te contar que não sinto mais nada durante a menstruação. 

Aqui abro um parêntese para mulheres com problemas sérios como endometriose e que precisam de tratamento.

Eu não sou especialista, mas proponho alinhar o tratamento as práticas naturais até encontrar um ponto de equilíbrio. Chegar a origem dos sintomas me parece mais interessante do que só escondê-los.

Escreva o que sente
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Eu já tinha a prática de diários há muitos anos, mas adotei a de páginas matinais dentro da mandala lunar. Nela escrevo as minhas manifestações físicas e sentimentais. Assim encontrei alguns padrões. Por exemplo: dias depois da menstruação estou muito mais ativa e porta para criar; já antes meu corpo vai diminuindo o ritmo, meio que entro em um inverno pessoal, na lua minguante. Em alguns períodos estou mais triste, outros mais alegre, outros mais promessa a criar, outros a estudar, e assim por diante. Na prática me ajudou a decidir coisas de forma mais assertiva.

Com esses registros em mãos, analise seu sintomas menstruais e associe ao que está acontecendo na vida, suas escolhas e ações. 

Faça uma lista de tudo o que te faz bem e feliz

Isso ajuda muito em dias de nervosismo e angustia. Se permita ter momentos de auto cuidado, se seu corpo está pedido pra ir mais devagar, desacelera. Não se coloque o rótulo de “mulher menstruada é mulher inútil”, mas faça as coisas no ritmo do seu corpo. Dane-se o que a sociedade exige, viva seu momento com auto amor.

Considerações

Quando se pesquisa sobre sagrado feminino a primeira impressão que eu tive foi de retrocesso para as mulheres e, sinceramente, um papo maluco. Tem horas que até parece que estão sugerindo que devemos voltar ao passado, mas sugiro que mergulhe mais fundo.

Acredito que a verdadeira intenção aqui é chegar a um equilíbrio. É olhar com acolhimento e admiração para as mulheres do passado, que fizeram coisas incríveis com tão pouco. E quando você olha além, consegue ver como elas eram fortes. Assim, conseguimos fazer as pazes com nossas características femininas e com nossas ancestrais.

Quando se fala em mulher ser fértil e sagrado por que pode gerar vida. Também podemos encarar isso como fertilidade de ideias e conhecimento. É permitir que a alma engravide de criatividade, no sentido de criar coisas de se expressar e colocar no mundo tudo o que é de positivo.

Mulher só vive competindo entre elas?

FEMINISM HELPING GIF BY LIBBY VANDERPLOEG

Outra proposta do sagrado feminino é quebrar o conceito de competição entre as mulheres. De dependência masculina que leva a coisa que querer roubar o homem da outra. Com a intenção de nos separar. 

Queridos Homens,

Vamos acolher os arquétipos femininos dentro de vocês e trabalhar a compaixão. Quebrem o ciclo de tantas gerações, vamos todos buscar equilíbrio. Imagina que mundo lindo seria esse onde todos são livres e podem se expressar, acolher uns aos outros e colaborar com o que temos de melhor.

O inconsciente coletivo já sente falta do feminino. E estamos caminhando para uma cultura matrística, de equilíbrio, de meio termo entre o feminino e masculino. Unindo as características dos dois. Tanto homens como mulheres podem conviver e manifestas suas luzes e sombras. 

Enfim…

Esse é um assunto muuuuuito amplo, tentei resumir ao máximo essa ideia, até porque estou aprendendo sobre ela. Se você pretende seguir domingo nessa jornada vamos trocar ideias aqui nos comentários ou no instagram. 

Uma ótima semana pra vocês 

Um cheiro 

e até a próxima.


Extra:

Fonte da foto de destaque: designs by duvet days

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